sábado, 12 de maio de 2007

Rally Pedonal a Fátima 2007


Começou a edição de 2007 do Rally Pedonal a Fátima por Estradas Nacionais, IP’s, Ic’s, e estradas de cabras, só não andam nas auto-estradas porque está lá um sinal com um burro desenhado.

A presente edição começou já há cerca de uma semana para os concorrentes que partiram da periferia do país, os outros que têm a sorte de morar mais no centro, e encontrarem-se assim mais próximos da meta, ainda estão a tempo de sair de casa e ganhar a prova, isto é se lá chegar sem estragar nenhum pára-choques dum carro durante a caminhada.

A historia do arriscado evento é mais simples de explicar, do que entender;
Reza, literalmente, a história que no dia 13 de Maio de 1917, uma virgem com cerca de 2000 anos de idade, mãe dum filho barbaramente assassinado numa cruz por volta do ano 33, poisou na copa de uma árvore plantada em Fátima, com o propósito de revelar 3 segredos a toda a Humanidade, por intermédio de 3 crianças quase cegas.

Claro que os segredos não foram a cura do cancro, nem o fim da fome ou da guerra, ou se foram, codificou a informação com as piruetas do sol e a chuva de rosas, e vai daí ninguém a entendeu, ao invés disso a mãe do tal rapaz, revelou a toda a humanidade a partir de Portugal que o nosso ditador Salazar, era o salvador da nação e um enviado de dEUS, não me espanta nada que passados 90 anos viesse a ganhar um concurso televisivo, onde à semelhança da senhora, o povo teceu a mesma consideração

Apelou também à conversão da Rússia comunista, por intermédio da oração, deve vir daqui o ódio da igreja pelos comunistas…

E o 3º e mais fascinante segredo foi, que um senhor polaco, de nome Karol Woytila, na qualidade de Papa, iria ser alvo de um atentado, claro que só soubemos depois do acto consumado, a informação prévia a ser verdade, demonstra que as crianças para além de cegas eram surdas ou estúpidas, pois não avisaram o homem.

Uma vez relevados os segredos que iriam mudar a humanidade para sempre, erigiram lá uma capela com uma mega fogueira onde se queimam velas tradicionais, e velas com a forma de órgãos humanos, há lá desde braços a pernas, corações, fígados, cabeças, há órgãos para todos os gostos e males, fui informado que dependendo da localização da doença assim é a parte anatómica que se queima, talvez fosse revelada a cura do cancro por incineração de cera e eu não sei… só não entendo a discriminação aos doentes de cancro testicular ou mesmo a doentes que sofrem de impotência sexual ou mesmo de hemorróidas, acho que também deviam ter em exposição os seus respectivos órgãos em cera.

Posto isto, temos quase explicado o que leva as pessoas a desafiarem a sorte e a viajarem a pé por o meio do trânsito (outras vezes por cima ou por baixo dele) a caminho de Fátima para o local onde a virgem poisou, ou vão puxar fogo a alguma coisa que não pode ser transportada num carro, ou vão rezar um terço com vista à conversão de outro país comunista, pois a Rússia desde 1991 que está convertida, ou segundo alguns vão simplesmente pagar uma promessa que dEUS cumpriu nalgum consultório medico , e assim agradecer-lhe pessoalmente no local onde apareceu a mulher do seu filho.

Um conselho aos que lá chegarem, não agradeçam só a dEUS, agradeçam também ao ABS, ao ESP, ao DSC, ao EuroNCAP, ao sistema assistido de travagem, etc.
Os que não chegaram lá, mas ainda podem agradecer a alguém, agradeçam ao gajo que desenvolveu os testes de colisão para peões, e desta vez prometam as vossas melhoras ao médico e no fim vão agradecer-lhe pessoalmente mas não por o meio da estrada carregados com um estetoscópio na mão!

quinta-feira, 3 de maio de 2007

O Nazi da Salada


Sou cliente assíduo dum restaurante/café, em frente à minha casa, que é propriedade dum autentico “Nazi da Salada” (para os fãns de Seinfeld, esta nomenclatura faz sentido), e não me estou só a referir as características fisionómicas do dito cujo, cuja semelhança com um tal de Adolfo, não passam apenas pela mesma altura, o mesmo porte esquelético, o mesmo bigode, apesar do deste estar mais comprido em largura, é igualmente ridículo, e até uma calvice disfarçada pelas patilhas esquerdas que vão dum lado ao outro da cabeça.

A diferença substancial está, que um era dono dum império, e o outro é dono dum restaurante, ornamentado com bandeiras e galhardetes de vários clubes de futebol nacionais, e com várias garrafas de licor espanhol em forma de touros, toureiros, sevilhanas e outras coisas disformes que a minha insensibilidade artística não descortina o que sejam, à porta está uma Abelha Maia eléctrica, daquelas que os pais pagam uma moeda de euro para verem os filhos sossegados durante o minuto que dura o entretenimento, lá dentro esta um enorme aquário igual aos das marisqueiras, mas em vez de marisco contem três ou quatro peixes vermelhos, de cinco centímetros, lá dentro, e que até hoje ainda não foram comidos, logo deduzo que estejam lá também para fazer vista como as bandeiras e as garrafas.

Frequento este café, quase diariamente, há mais de seis anos, e perdi a conta ao número dos empregados que já passaram por lá nesse período, no inicio até tentei meter conversa com eles, ser simpático, até ousei ensinar-lhes os meus hábitos para lhes poupar trabalho, é que eu bebo café sem açúcar e necessito de um copo de agua para não queimar a língua, tive inclusive que me habituar a pedir; -Uma Bica,sff!, pois quando pedia –Um café, sff.! a resposta era invariavelmente; -Quer o quê?, até isso eu lhes ensinei que aquela coisa preta que estava dentro da chávena também podia ser chamada de café, sem que isso fosse um atentado ao bom nome da mesma. Todo este esforço foi em vão, quando me conheciam e estavam habituados a mim, e eu a eles, e até nos cumprimentávamos na rua, lá desapareciam misteriosamente e aparecia outro para o seu lugar, e voltava tudo a estaca zero.

A primeira vez que fui lá, encaminhado pelo meu primo, já há mais de 8 anos, e já aí ele me dizia que havia um empregado novo a cada três meses, facto que justificou com a hipotética precariedade salarial, e por consequência o pessoal não estar disposto a aturar o Hitler por um ordenado mínimo nacional português, pois o é tipo bestialmente chato e estúpido, e à semelhança do seu homónimo, tem um exército de empregados e cuzinheiros a marchar e a rastejar a sua frente em extremo estado de tensão, parece que todos lhe devem e ninguém lhe paga e eu desconfio que seja ao contrario, mas isso é outra conversa.

Guardo vergonhosamente um episódio que se passou comigo há dois anos; era noite, e depois de ir ao congelador, e dar-me conta que tinha acabado o stock de marmitas com comida que a minha mãe me envia semanalmente, as que o meu chef, de nome Micro Ondas, confecciona diariamente para mim, terem acabado, e ter igualmente acabado o pão de forma que a ajudante chef, dona Tostadeira usa para as minhas refeições mais rápidas, resolvi ir então jantar a do Nazi da Salada, já não me lembro o que pedi, mas sei que para acompanhar o prato principal pedi uma salada, a qual se revelou num prato de sal grosso temperado com alface, tomate e alguma cenoura, no fim com é habito no estabelecimento, o Nazi veio perguntar-me se estava tudo em ordem, não sei no que estava a pensar, e distraído disse-lhe que a salada estava um bocadinho salgada, mas que de resto estava tudo impecável, como sempre… o que eu fui dizer… findados dois anos ainda acordo de noite, suado com os gritos que a besta deu à cozinheira por ter-me salgado a porra da salada, já estão a imaginar, não foi promovida… a partir daí nunca mais a vi lá.

Seriamente, já pensei em por um aviso na porta, quer combater a Taxa de Desemprego em Portugal, Não Reclame Aqui!

domingo, 29 de abril de 2007

A primeira Curta

Sempre fui um grande fã das piadas curtas. Eis então a primeira de muitas, espero eu.

Sou um gajo muito ciumento e competitivo, por isso acho que a mulher ideal para mim será uma mulher invisual, ceguinha mesmo! Pois penso que deve ser a única forma de garantir que ela não está a olhar para os outros gajos, isto é, a fazer olhinhos.

terça-feira, 17 de abril de 2007

Ignorance is Bliss


Vi hoje o noticiário da SIC Noticias, para queimar o pó dos transístores da minha televisão que não ligava a quase 1 mês, e ao deparar-me com a notícia de mais um massacre, carnificina, ou o que lhe queiram chamar, numa universidade norte americana, algo me deixou perplexo e se pudesse passar o vídeo atrás passaria para ter a certeza que percebi bem.

Claro que não me refiro, nem o massacre propriamente dito, e muito menos o local onde aconteceu, nem podia ser em mais lado nenhum… Certamente um jovem depois de jogar um videojogo de matança, e pelo facto de o software, à cautela, só mencionar o facto para não repetir as proezas em casa, e ser omisso em relação ao uso em qualquer estabelecimento de ensino, e jovem por ignorância de causa, resolveu continuar a saga do videojogo na universidade com os colegas, sendo o resultado mais de 30 mortos que segundo o mesmo irão certamente ressuscitar e aparecer no próximo nível.

Mas como de inicio referi, o que me espanta nesta notícia não é acontecimento em si, visto até ser frequente por aquelas bandas, o que me deixou perplexo foi o discurso do presidente norte-americano, um Texano Teocrata Cristão de nome George Bush, que confrontado com a situação a única forma que arranjou para a solucionar, foi… pasmem-se… REZAR!

Claro que consequentemente as vítimas entram directamente para o paraíso, pois foi o Excelentíssimo Senhor Presidente da América que pôs a cunha junto de Deus Pai, afinal o homem fez o que poderia e devia fazer, afinal o que é que queriam?!
Que o homem fosse rever a Lei de uso e posse de arma daquele pais, já agora também processava o programador do videojogo por não desaconselhar a realização das proezas do ecrã, nas universidades…

Não é caso para dizer que a ignorância do Sr. Bush é uma bênção, mas antes que a unica bênção foi a sua ignorância.

terça-feira, 10 de abril de 2007

A Passagem



Caros leitores, acabaram outras férias, e já fica as saudades de umas férias plenas de trabalho e dores de cabeça daí resultantes, mas não é por isso que vos escrevo.

Caso, não tenham reparado estivemos todos, eu inclusive, a comemorar aquilo que chamamos de Pascoa (do hebraico Pessach, significando passagem).

No ano 33dc um pai sacrificou um filho para provar a todos nós que ele era mesmo o seu progenitor, (apesar de alguns, ainda hoje, não estarem muito convencidos), e que o corpo da sua cria, depois de morto, foi transportado para uma gruta lá para os lados de Jerusalém, e que ao fim de 3 dias, quando foram lá ver, o gajo já lá não estava, como não foi tempo suficiente para as bactérias decomporem o cadáver e a ocultação de cadáver não era crime passivel de pena na época, a evidencia lógica é que ele ascendeu ao céu todo nu, e as sua roupas foram para exposição em Turim. Como era judeu e foi circuncidado, não se sabe o que aconteceu ao seu prepúcio, pois na sua infância deve ter levado uma navalhada como era costume lá no sítio, e hoje fica a perturbante dúvida, se está no céu ou na terra.

Foi esta historia comovente e na altura conveniente, que ganhou as eleições no primeiro concilio ecuménico, no ano 325dc, que ficou conhecido por concilio de Niceia I, e ainda hoje anda por ai muito boa gente que acredita nisto, e como se não bastasse festejam a data(alguns até alegam estar na posse da sua sanidade mental), claro que essa criatura de nome Jesus Cristo, não detêm apenas em sua posse o feito único e extraordinário de subir morto e todo nu aos céus, ele também era capaz de ressuscitar os mortos, curar a cegueira, transformar agua em vinho(a ser verdade não lhe perdoo o facto não ter deixado cá o Oceano Branco, o Oceano Tinto, o Oceano Verde, o Oceano Rosé e o Oceano Palheto, que ficaria entre o branco e o tinto, ao invés dos outros cinco), e andar em cima de agua, mais tarde verificou-se que deve ter aprendido com a mãe, pois esta sabia andar em cima de arvores, e mesmo com os galhos mais afiados continuar virgem e detendora de um hímen impenatrável.

É a viagem espacial deste fascinante indivíduo, que deve ter ganho o euromilhões lá do sítio á semelhança do “Joaquim que é de Beja”, que nós comemoramos efusivamente todos os anos e lhe chamamos de Páscoa!

domingo, 25 de março de 2007

Os Góticos


Caros leitores, este post pretende dar a conhecer uma espécie de hominídeos, especialmente a quem nunca esteve num concerto de metal nem na serra de Sintra em noites de lua cheia.

Essa espécie é geralmente denominada de Góticos, são facilmente identificáveis, pois calçam botas da tropa preta com a biqueira de aço, vestem calças de ganga preta, ornamentadas com a corrente do cão e espetadas pelo rego do cu acima, no caso do macho, e uma saia tipo kilt escocês mas preta, no caso de certas fêmeas, ambos os géneros usam uma T-shirt preta com uma imagem de uma carnificina, ou da capa de um qualquer álbum satânico, passo a redundância, e com o titulo da respectiva banda nas costas, usam um pentagrama pendurado do pescoço que tapam com um casaco de cabedal do tamanho deles, para fazerem uma pequena ideia basta ver uma foto do conde Drácula mas todo de preto.

A maquilhagem da fêmea (como a de alguns "machos") é preta, desde os lábios às unhas, pestanas, sobrolho, tudo é preto, e que escondem por baixo dum cabelo que não cortam devido ao facto do horário laboral dos cabeleireiros ser diurno, a contrastar com o branco lixívial da face característico da espécie, que se deve ao facto de não apanharem com sequer um raio de sol nas trombas, parece que padecem duma fotosensibilidade auto-imposta, para fazerem outra pequena ideia basta ver um filme de Vampiros a preto e branco para entenderem a figura sinistra dos especímenes assim como a sua aversão ao astro rei.

Os seus hábitos sociais são completamente inexistentes, a isso se deve o facto de ninguém se ter cruzado com tais sinistras figuras durante o dia, excepção feita aos cultos religiosos em noites de lua cheia na serra de Sintra, talvez saiam de casa nos eclipses solares para colocarem os 666 piercings que cada um usa espalhados pelo corpo, para vê-los sem ser nos seus cultos satânicos, temos que ir a um concerto de metal, onde se reúnem todos, e talvez seja aí que os machos conhecem as fêmeas com vista à procriação futura, visto tal espécie só acasalar entre ela e ainda não estar extinta.

É claro que estes aspectos os tornam, no mínimo ímpares, mas a questão que urge ser respondida é; onde anda essa gente durante o dia?, andam de metro, vão ao café, praticam desporto, tem um trabalho dito normal, frequentam escolas ou universidades, ao fim ao cabo quem é essa gente?

Faço estas perguntas porque é esta gente que vou, mais uma vez, encontrar no dia 28 de Junho, no festival Super Bock Super Rock, para ver pela 3 vez os grandiosos Metallica, e aproveitar para calçar as minhas botas da tropa, vestir a minha tshit do live shit, e umas calças pretas apertadas no cu com a corrente do gato, assim como o meu casaco de cabedal preto; o cabelo não cresce até lá, nem a maquilhagem preta me favorece, mas vou lá estar entre eles.

Acho que este último parágrafo responde parcialmente à pergunta; quem é essa gente?
A todos eles, um abraço e até Junho!

quinta-feira, 15 de março de 2007

O Galo


Quem me conhece sabe que o estado Português, só emitiu o meu Bilhete de Identidade a fins de eu não esquecer o meu próprio nome ou para eu poder fazer uma conta de subtrair anualmente, e assim responder à pertinente pergunta, -Que idade tens?

Isto tudo, para perceberem o quanto eu sou esquecido, e a dificuldade que tenho em assimilar nomes ou números que não sejam suportados por factos tangíveis, como é o caso da minha idade que incrementa todos os anos.

Claro que não fiz um post a anunciar a comunidade internauta que sofro de esquecidez aguda crónica, mas para relembrar uma das poucas recordações que tenho de criança e que quero partilhar convosco neste post, consta de um objecto em forma de galo, que está em cima da estante da sala, por cima da televisão e ao lado duma garrafa preta com o formato dum touro, que o meu pai comprou provavelmente numa ida a Espanha, e cujo líquido ainda hoje não descobri o que era.

Ao abrir um email, daqueles que começam por FW… e que anexava uma foto de uma pedra, que supostamente prevê as condições climatéricas, a qual acompanha este post, lembrei-me que eu tive um galo, e que ainda hoje tenho, talvez por isso a memoria esteja tão presente… que tinha um funcionamento similar ao da pedra, e lembro-me na altura por volta dos meus cinco ou seis anos, que aquele galo era um mistério sinistro que eu não conseguia entender, nem eu, nem ninguém lá em casa me conseguia explicar o seu tenebroso funcionamento.

O galo mede cerca de 10cm sem a crista, está pousado num pedestal, e está coberto de uma material que muda de cor dependendo do estado do tempo e faz-se acompanhar por uma escala em tons de azul, e que cada tonalidade representa o tempo lá fora, desde sol, embrulhado, chuva, trovoada, ect…

Aquele mecanismo de previsão era quase mágico para mim por ser completamente inexplicável, apesar de o galo ter as duas patas, certamente não ia da sala à rua espreitar o tempo, mas que mudava de cor, mudava.
Hoje, (entenda-se que este hoje é figurativo, não representa o dia 15/3/2007) entendo que aquela matéria que reveste o galo, é uma matéria que varia a tonalidade com a humidade relativa do ar, que é proporcional ao nível precipitação, mas durante muito tempo aquele galo tinha algo de misterioso para mim, que hoje não passa de um fenómeno suportado por uma mera explicação pseudo-cientifica.

Aqueles que acham que vou terminar o post com uma lição de moral, fazer dele um manual de cepticismo básico ou mesmo enaltecer a minha brilhante inteligência em análise e sistemas meteorológicos, engana-se; vou antes deixar uma intrigante pergunta que podem responder na caixa de comentários…

Para que raio é que alguém quer a porra dum dispositivo, ainda por cima em forma de galo e como se não bastasse, azul, em cima da televisão, para saber se esta a chover, não é mais fácil ficar sossegado a ver televisão e quando esta desligar ficar a saber que está uma chovita lá fora e a EDP já cortou a distribuição com medo de chumbar algum transformador?

PS: Para quem me conhece e é meu conterrâneo, isto faz algum sentido!

sexta-feira, 9 de março de 2007

O Nosso Blog Dava uma Enxaqueca


Hoje, para variar, estive encalhado no trânsito, e no meio de um zapping às intermináveis estações de Rádio, ouvi na Comercial um programa radiofónico chamado “O meu Blog dava um programa de Rádio”.

Para quem já está em pânico, e a acusar-me da perda da noção do ridículo, relaxe, pois não vamos candidatar o nosso blog a efémero concurso, aliás como já devem ter reparado o nosso blog não dava nenhum programa de Rádio, mal a mal dava uma enxaqueca a quem corajosamente o ler do início ao fim.

No tempo que ouvi o programa, cujo término coincidiu com o facto de alguém começar a ler um post sobre a vida depois da morte, escrito com uma convicção e certeza que pouca gente tem em relação a morte depois da vida, mas antes disso ainda consegui ouvir a confissão do autor acerca das keywords searches, que são as palavras ou frases que digitamos no google para procurar qualquer coisa, e que são o caminho erróneo para chegar ao endereço do blog.

Ora mal cheguei a casa, fui ver como é que os nossos leitores encalhavam inadvertidamente com o nosso blog, ou seja por o quê é que eles procuravam para ter a infelicidade de vir aqui parar, fica então aqui o TOP TEN das pesquisas do Google:

1- abençoado seja esse cu
2- grandes fodas no cu
3- anãs mostram o grande cu
4- abençoado seja cristo
5- todo no rego do cu
6- loiras a dar o cu
7- mamas cona cu
8- putas a levar no cu
9- grande cu preto
10- línguas nesse cu fofo

Analisando os dados, ficamos a saber que há por ai muita gente ainda mais tarada do que os colaboradores do blog, eu pessoalmente nunca pesquisei nada por “abençoado seja cristo”

segunda-feira, 5 de março de 2007

Banda sonora invulgar para o sexo


Como um amigo me disse a dada altura que ao pequeno-almoço, juntava em vez do leite sumo natural aos cereais, nunca mais achei que as “misturas” que fazemos na vida não são estranhas apenas depende dos gostos, e gostos não se discutem.

Venho então relatar uma experiência e que sugiro.


A dada altura no meio do acto sexual, mais exactamente na sala com a televisão ligada, devido ao reboliço, houve uma mudança repentina de canal que estava a ser transmitido passando a ser visto no ecrã o canal historia.

Nesse preciso momento que praticava a minha posição preferida, no calão, "à canzana", começo a ouvir no cenário de fundo nem mais nem menos o Adolf Hitler. Ah , pois é!

Num dos seu míticos discursos, e não é que quando o gajo começa a exaltar e o povo vai na conversa, mandando os braços para o ar, de uma forma um pouco homossexual, diga-se de passagem, todos gritando em coro e de forma ritmada que aos poucos gradualmente vão aumentando o ritmo, que me começo a aperceber que ao mesmo tempo que gritam e em que o “insiro” existe uma simbiose. De tal forma, que o ritmo das “inserções” vai aumentando com o ritmo dos gritos, até ao ponto de eu atingir um orgasmo e depois ouvir, vindo da televisão, uma salva de palmas enaltecendo o feito. É um pouco invulgar como “acompanhamento” mas, de uma forma um pouco bizarra, achei piada.

Vocês podem dizer que aquilo não se percebe nada do que os gajos dizem pois falam em alemão, mas da para perceber claramente que no meio daquilo tudo, que eles também se preparam para foder alguém.



sexta-feira, 2 de março de 2007

O Salvador



O concurso Os Grandes Portugueses, o qual mereceu a minha atenção e também um post, teve hoje o despudor de infectar as nossas ruas com um outdoor, contendo as ventas do Salazar com a intrujante pergunta; “Salvador ou Ditador?”

Para aqueles que a resposta não é clara, ficam os factos:

1931
O estudante Branco é morto pela PSP, durante uma manifestação no Porto;

1932
Armando Ramos, jovem, é morto em consequência de espancamentos; Aurélio Dias, fragateiro, é morto após 30 dias de tortura; Alfredo Ruas, é assassinado a tiro durante uma manifestação em Lisboa;

1934, 18 de Janeiro
Américo Gomes, operário, morre em Peniche após dois meses de tortura; Manuel Vieira Tomé, sindicalista ferroviário morre durante a tortura em consequência da repressão da greve; Júlio Pinto, operário vidreiro, morto à pancada; a PSP mata um operário conserveiro durante a repressão de uma greve em Setúbal

1935
Ferreira de Abreu, dirigente da organização juvenil do PCP, morre no hospital após ter sido espancado na sede da PIDE (então PVDE);

1936
Francisco Cruz, operário da Marinha Grande, morre na Fortaleza de Angra do Heroísmo, vítima de maus tratos, é deportado do 18 de Janeiro de 1934; Manuel Pestana Garcez, trabalhador, é morto durante a tortura;

1937
Ernesto Faustino, operário; José Lopes, operário anarquista, morre durante a tortura, sendo um dos presos da onda de repressão que se seguiu ao atentado a Salazar; Manuel Salgueiro Valente, tenente-coronel, morre em condições suspeitas no forte de Caxias; Augusto Costa, operário da Marinha Grande, Rafael Tobias Pinto da Silva, de Lisboa, Francisco Domingues Quintas, de Gaia, Francisco Manuel Pereira, marinheiro de Lisboa, Pedro Matos Filipe, de Almada e Cândido Alves Barja, marinheiro, de Castro Verde, morrem no espaço de quatro dias no Tarrafal, vítimas das febres e dos maus tratos; Augusto Almeida Martins, operário, é assassinado na sede da PIDE (PVDE) durante a tortura ; Abílio Augusto Belchior, operário do Porto, morre no Tarrafal, vítima das febres e dos maus tratos;

1938
António Mano Fernandes, estudante de Coimbra, morre no Forte de Peniche, por lhe ter sido recusada assistência médica, sofria de doença cardíaca; Rui Ricardo da Silva, operário do Arsenal, morre no Aljube, devido a tuberculose contraída em consequência de espancamento perpetrado por seis agentes da Pide durante oito horas; Arnaldo Simões Januário, dirigente anarco-sindicalista, morre no campo do Tarrafal, vítima de maus tratos; Francisco Esteves, operário torneiro de Lisboa, morre na tortura na sede da PIDE; Alfredo Caldeira, pintor, dirigente do PCP, morre no Tarrafal após lenta agonia sem assistência médica;

1939
Fernando Alcobia, morre no Tarrafal, vítima de doença e de maus tratos;

1940
Jaime Fonseca de Sousa, morre no Tarrafal, vítima de maus tratos; Albino Coelho, morre também no Tarrafal; Mário Castelhano, dirigente anarco-sindicalista, morre sem assistência médica no Tarrafal;

1941
Jacinto Faria Vilaça, Casimiro Ferreira; Albino de Carvalho; António Guedes Oliveira e Silva; Ernesto José Ribeiro, operário, e José Lopes Dinis morrem no Tarrafal;

1942
Henrique Domingues Fernandes morre no Tarrafal; Carlos Ferreira Soares, médico, é assassinado no seu consultório com rajadas de metralhadora, os agentes assassinos alegam legítima defesa (?!); Bento António Gonçalves, secretário-geral do P. C. P. Morre no Tarrafal; Damásio Martins Pereira, fragateiro, morre no Tarrafal; Fernando Óscar Gaspar, morre tuberculoso no regresso da deportação; António de Jesus Branco morre no Tarrafal;

1943
Rosa Morgado, camponesa do Ameal (Águeda), e os seus filhos, António, Júlio e Constantina, são mortos a tiro pela GNR; Paulo José Dias morre tuberculoso no Tarrafal; Joaquim Montes morre no Tarrafal com febre biliosa; José Manuel Alves dos Reis morre no Tarrafal; Américo Lourenço Nunes, operário, morre em consequência de espancamento perpetrado durante a repressão da greve de Agosto na região de Lisboa; Francisco do Nascimento Gomes, do Porto, morre no Tarrafal; Francisco dos Reis Gomes, operário da Carris do Porto, é morto durante a tortura;

1944
General José Garcia Godinho morre no Forte da Trafaria, por lhe ser recusado internamento hospitalar; Francisco Ferreira Marques, de Lisboa, militante do PCP, em consequência de espancamento e após mês e meio de incomunicabilidade; Edmundo Gonçalves morre tuberculoso no Tarrafal; assassinados a tiro de metralhadora uma mulher e uma criança, durante a repressão da GNR sobre os camponeses rendeiros da herdade da Goucha (Benavente), mais 40 camponeses são feridos a tiro.

1945
Manuel Augusto da Costa morre no Tarrafal; Germano Vidigal, operário, assassinado com esmagamento dos testículos, depois de três dias de tortura no posto da GNR de Montemor-o-Novo; Alfredo Dinis (Alex), operário e dirigente do PCP, é assassinado a tiro na estrada de Bucelas; José António Companheiro, operário, de Borba, morre de tuberculose em consequência dos maus tratos na prisão;

1946
Manuel Simões Júnior, operário corticeiro, morre de tuberculose após doze anos de prisão e de deportação; Joaquim Correia, operário litógrafo do Porto, é morto por espancamento após quinze meses de prisão;

1947
José Patuleia, assalariado rural de Vila Viçosa, morre durante a tortura na sede da PIDE;

1948
António Lopes de Almeida, operário da Marinha Grande, é morto durante a tortura; Artur de Oliveira morre no Tarrafal; Joaquim Marreiros, marinheiro da Armada, morre no Tarrafal após doze anos de deportação; António Guerra, operário da Marinha Grande, preso desde 18 de Janeiro de 1934, morre quase cego e após doença prolongada;

1950
Militão Bessa Ribeiro, operário e dirigente do PCP, morre na Penitenciária de Lisboa, durante uma greve de fome e após nove meses de incomunicabilidade; José Moreira, operário, assassinado na tortura na sede da PIDE, dois dias após a prisão, o corpo é lançado por uma janela do quarto andar para simular suicídio; Venceslau Ferreira morre em Lisboa após tortura; Alfredo Dias Lima, assalariado rural, é assassinado a tiro pela GNR durante uma manifestação em Alpiarça;

1951
Gervásio da Costa, operário de Fafe, morre vítima de maus tratos na prisão;

1954
Catarina Eufémia, assalariada rural, assassinada a tiro em Baleizão, durante uma greve, grávida e com uma filha nos braços;

1957
Joaquim Lemos Oliveira, barbeiro de Fafe, morre na sede da PIDE no Porto após quinze dias de tortura; Manuel da Silva Júnior, de Viana do Castelo, é morto durante a tortura na sede da PIDE no Porto, sendo o corpo, irreconhecível, enterrado às escondidas num cemitério do Porto; José Centeio, assalariado rural de Alpiarça, é assassinado pela PIDE;

1958
José Adelino dos Santos, assalariado rural, é assassinado a tiro pela GNR, durante uma manifestação em Montemor-o-Novo, vários outros trabalhadores são feridos a tiro; Raul Alves, operário da Póvoa de Santa Iria, após quinze dias de tortura, é lançado por uma janela do quarto andar da sede da PIDE, à sua morte assiste a esposa do embaixador do Brasil;

1961
Cândido Martins Capilé, operário corticeiro, é assassinado a tiro pela GNR durante uma manifestação em Almada; José Dias Coelho, escultor e militante do PCP, é assassinado à queima-roupa numa rua de Lisboa;

1962
António Graciano Adângio e Francisco Madeira, mineiros em Aljustrel, são assassinados a tiro pela GNR; Estêvão Giro, operário de Alcochete, é assassinado a tiro pela PSP durante a manifestação do 1º de Maio em Lisboa;

1963
Agostinho Fineza, operário tipógrafo do Funchal, é assassinado pela PSP, sob a indicação da PIDE, durante uma manifestação em Lisboa;

1964
Francisco Brito, desertor da guerra colonial, é assassinado em Loulé pela GNR; David Almeida Reis, trabalhador, é assassinado por agentes da PIDE durante uma manifestação em Lisboa;

1965
General Humberto Delgado e a sua secretária Arajaryr Campos são assassinados a tiro em Vila Nueva del Fresno (Espanha), os assassinos são o inspector da PIDE Rosa Casaco e o subinspector Agostinho Tienza e o agente Casimiro Monteiro;

1967
Manuel Agostinho Góis, trabalhador agrícola de Cuba, morre vítima de tortura na PIDE;

1968
Luís António Firmino, trabalhador de Montemor, morre em Caxias, vítima de maus tratos; Herculano Augusto, trabalhador rural, é morto à pancada no posto da PSP de Lamego por condenar publicamente a guerra colonial; Daniel Teixeira, estudante, morre no Forte de Caxias, em situação de incomunicabilidade, depois de agonizar durante uma noite sem assistência;

1969
Eduardo Mondlane, dirigente da Frelimo, é assassinado através de um atentado organizado pela PIDE;

1972
José António Leitão Ribeiro Santos, estudante de Direito em Lisboa e militante do MRPP, é assassinado a tiro durante uma reunião de apoio à luta do povo vietnamita e contra a repressão, o seu assassino, o agente da PIDE Coelha da Rocha, viria a escapar-se na "fuga-libertação" de Alcoentre, em Junho de 1975;

1973
Amilcar Cabral, dirigente da luta de libertação da Guiné e Cabo Verde, é assassinado por um bando mercenário a soldo da PIDE, chefiado por Alpoim Galvão;

1974, 25 de Abril
Fernando Carvalho Gesteira, de Montalegre, José James Barneto, de Vendas Novas, Fernando Barreiros dos Reis, soldado de Lisboa, e José Guilherme Rego Arruda, estudante dos Açores, são assassinados a tiro pelos pides acoitados na sua sede na Rua António Maria Cardoso, são ainda feridas duas dezenas de pessoas.


Posto isto, fiz um poema, daqueles ditos populares, que dizem mal do governo, dos que são recitados na TV por um velhote perdido na serra... aqui vai:

O Dr. Oliveira Salazar,
foi o Salvador da Nação,
Hoje vivemos a pagar,
o preço da Salvação,

Eu não me lembro de mendigar, 
tal feito a esse cidadão,
E ainda hoje ando a penar,
Vivendo a vida a pensar,
Que mal fiz eu ao Cabrão!