quinta-feira, 15 de março de 2007

O Galo


Quem me conhece sabe que o estado Português, só emitiu o meu Bilhete de Identidade a fins de eu não esquecer o meu próprio nome ou para eu poder fazer uma conta de subtrair anualmente, e assim responder à pertinente pergunta, -Que idade tens?

Isto tudo, para perceberem o quanto eu sou esquecido, e a dificuldade que tenho em assimilar nomes ou números que não sejam suportados por factos tangíveis, como é o caso da minha idade que incrementa todos os anos.

Claro que não fiz um post a anunciar a comunidade internauta que sofro de esquecidez aguda crónica, mas para relembrar uma das poucas recordações que tenho de criança e que quero partilhar convosco neste post, consta de um objecto em forma de galo, que está em cima da estante da sala, por cima da televisão e ao lado duma garrafa preta com o formato dum touro, que o meu pai comprou provavelmente numa ida a Espanha, e cujo líquido ainda hoje não descobri o que era.

Ao abrir um email, daqueles que começam por FW… e que anexava uma foto de uma pedra, que supostamente prevê as condições climatéricas, a qual acompanha este post, lembrei-me que eu tive um galo, e que ainda hoje tenho, talvez por isso a memoria esteja tão presente… que tinha um funcionamento similar ao da pedra, e lembro-me na altura por volta dos meus cinco ou seis anos, que aquele galo era um mistério sinistro que eu não conseguia entender, nem eu, nem ninguém lá em casa me conseguia explicar o seu tenebroso funcionamento.

O galo mede cerca de 10cm sem a crista, está pousado num pedestal, e está coberto de uma material que muda de cor dependendo do estado do tempo e faz-se acompanhar por uma escala em tons de azul, e que cada tonalidade representa o tempo lá fora, desde sol, embrulhado, chuva, trovoada, ect…

Aquele mecanismo de previsão era quase mágico para mim por ser completamente inexplicável, apesar de o galo ter as duas patas, certamente não ia da sala à rua espreitar o tempo, mas que mudava de cor, mudava.
Hoje, (entenda-se que este hoje é figurativo, não representa o dia 15/3/2007) entendo que aquela matéria que reveste o galo, é uma matéria que varia a tonalidade com a humidade relativa do ar, que é proporcional ao nível precipitação, mas durante muito tempo aquele galo tinha algo de misterioso para mim, que hoje não passa de um fenómeno suportado por uma mera explicação pseudo-cientifica.

Aqueles que acham que vou terminar o post com uma lição de moral, fazer dele um manual de cepticismo básico ou mesmo enaltecer a minha brilhante inteligência em análise e sistemas meteorológicos, engana-se; vou antes deixar uma intrigante pergunta que podem responder na caixa de comentários…

Para que raio é que alguém quer a porra dum dispositivo, ainda por cima em forma de galo e como se não bastasse, azul, em cima da televisão, para saber se esta a chover, não é mais fácil ficar sossegado a ver televisão e quando esta desligar ficar a saber que está uma chovita lá fora e a EDP já cortou a distribuição com medo de chumbar algum transformador?

PS: Para quem me conhece e é meu conterrâneo, isto faz algum sentido!

sexta-feira, 9 de março de 2007

O Nosso Blog Dava uma Enxaqueca


Hoje, para variar, estive encalhado no trânsito, e no meio de um zapping às intermináveis estações de Rádio, ouvi na Comercial um programa radiofónico chamado “O meu Blog dava um programa de Rádio”.

Para quem já está em pânico, e a acusar-me da perda da noção do ridículo, relaxe, pois não vamos candidatar o nosso blog a efémero concurso, aliás como já devem ter reparado o nosso blog não dava nenhum programa de Rádio, mal a mal dava uma enxaqueca a quem corajosamente o ler do início ao fim.

No tempo que ouvi o programa, cujo término coincidiu com o facto de alguém começar a ler um post sobre a vida depois da morte, escrito com uma convicção e certeza que pouca gente tem em relação a morte depois da vida, mas antes disso ainda consegui ouvir a confissão do autor acerca das keywords searches, que são as palavras ou frases que digitamos no google para procurar qualquer coisa, e que são o caminho erróneo para chegar ao endereço do blog.

Ora mal cheguei a casa, fui ver como é que os nossos leitores encalhavam inadvertidamente com o nosso blog, ou seja por o quê é que eles procuravam para ter a infelicidade de vir aqui parar, fica então aqui o TOP TEN das pesquisas do Google:

1- abençoado seja esse cu
2- grandes fodas no cu
3- anãs mostram o grande cu
4- abençoado seja cristo
5- todo no rego do cu
6- loiras a dar o cu
7- mamas cona cu
8- putas a levar no cu
9- grande cu preto
10- línguas nesse cu fofo

Analisando os dados, ficamos a saber que há por ai muita gente ainda mais tarada do que os colaboradores do blog, eu pessoalmente nunca pesquisei nada por “abençoado seja cristo”

segunda-feira, 5 de março de 2007

Banda sonora invulgar para o sexo


Como um amigo me disse a dada altura que ao pequeno-almoço, juntava em vez do leite sumo natural aos cereais, nunca mais achei que as “misturas” que fazemos na vida não são estranhas apenas depende dos gostos, e gostos não se discutem.

Venho então relatar uma experiência e que sugiro.


A dada altura no meio do acto sexual, mais exactamente na sala com a televisão ligada, devido ao reboliço, houve uma mudança repentina de canal que estava a ser transmitido passando a ser visto no ecrã o canal historia.

Nesse preciso momento que praticava a minha posição preferida, no calão, "à canzana", começo a ouvir no cenário de fundo nem mais nem menos o Adolf Hitler. Ah , pois é!

Num dos seu míticos discursos, e não é que quando o gajo começa a exaltar e o povo vai na conversa, mandando os braços para o ar, de uma forma um pouco homossexual, diga-se de passagem, todos gritando em coro e de forma ritmada que aos poucos gradualmente vão aumentando o ritmo, que me começo a aperceber que ao mesmo tempo que gritam e em que o “insiro” existe uma simbiose. De tal forma, que o ritmo das “inserções” vai aumentando com o ritmo dos gritos, até ao ponto de eu atingir um orgasmo e depois ouvir, vindo da televisão, uma salva de palmas enaltecendo o feito. É um pouco invulgar como “acompanhamento” mas, de uma forma um pouco bizarra, achei piada.

Vocês podem dizer que aquilo não se percebe nada do que os gajos dizem pois falam em alemão, mas da para perceber claramente que no meio daquilo tudo, que eles também se preparam para foder alguém.



sexta-feira, 2 de março de 2007

O Salvador



O concurso Os Grandes Portugueses, o qual mereceu a minha atenção e também um post, teve hoje o despudor de infectar as nossas ruas com um outdoor, contendo as ventas do Salazar com a intrujante pergunta; “Salvador ou Ditador?”

Para aqueles que a resposta não é clara, ficam os factos:

1931
O estudante Branco é morto pela PSP, durante uma manifestação no Porto;

1932
Armando Ramos, jovem, é morto em consequência de espancamentos; Aurélio Dias, fragateiro, é morto após 30 dias de tortura; Alfredo Ruas, é assassinado a tiro durante uma manifestação em Lisboa;

1934, 18 de Janeiro
Américo Gomes, operário, morre em Peniche após dois meses de tortura; Manuel Vieira Tomé, sindicalista ferroviário morre durante a tortura em consequência da repressão da greve; Júlio Pinto, operário vidreiro, morto à pancada; a PSP mata um operário conserveiro durante a repressão de uma greve em Setúbal

1935
Ferreira de Abreu, dirigente da organização juvenil do PCP, morre no hospital após ter sido espancado na sede da PIDE (então PVDE);

1936
Francisco Cruz, operário da Marinha Grande, morre na Fortaleza de Angra do Heroísmo, vítima de maus tratos, é deportado do 18 de Janeiro de 1934; Manuel Pestana Garcez, trabalhador, é morto durante a tortura;

1937
Ernesto Faustino, operário; José Lopes, operário anarquista, morre durante a tortura, sendo um dos presos da onda de repressão que se seguiu ao atentado a Salazar; Manuel Salgueiro Valente, tenente-coronel, morre em condições suspeitas no forte de Caxias; Augusto Costa, operário da Marinha Grande, Rafael Tobias Pinto da Silva, de Lisboa, Francisco Domingues Quintas, de Gaia, Francisco Manuel Pereira, marinheiro de Lisboa, Pedro Matos Filipe, de Almada e Cândido Alves Barja, marinheiro, de Castro Verde, morrem no espaço de quatro dias no Tarrafal, vítimas das febres e dos maus tratos; Augusto Almeida Martins, operário, é assassinado na sede da PIDE (PVDE) durante a tortura ; Abílio Augusto Belchior, operário do Porto, morre no Tarrafal, vítima das febres e dos maus tratos;

1938
António Mano Fernandes, estudante de Coimbra, morre no Forte de Peniche, por lhe ter sido recusada assistência médica, sofria de doença cardíaca; Rui Ricardo da Silva, operário do Arsenal, morre no Aljube, devido a tuberculose contraída em consequência de espancamento perpetrado por seis agentes da Pide durante oito horas; Arnaldo Simões Januário, dirigente anarco-sindicalista, morre no campo do Tarrafal, vítima de maus tratos; Francisco Esteves, operário torneiro de Lisboa, morre na tortura na sede da PIDE; Alfredo Caldeira, pintor, dirigente do PCP, morre no Tarrafal após lenta agonia sem assistência médica;

1939
Fernando Alcobia, morre no Tarrafal, vítima de doença e de maus tratos;

1940
Jaime Fonseca de Sousa, morre no Tarrafal, vítima de maus tratos; Albino Coelho, morre também no Tarrafal; Mário Castelhano, dirigente anarco-sindicalista, morre sem assistência médica no Tarrafal;

1941
Jacinto Faria Vilaça, Casimiro Ferreira; Albino de Carvalho; António Guedes Oliveira e Silva; Ernesto José Ribeiro, operário, e José Lopes Dinis morrem no Tarrafal;

1942
Henrique Domingues Fernandes morre no Tarrafal; Carlos Ferreira Soares, médico, é assassinado no seu consultório com rajadas de metralhadora, os agentes assassinos alegam legítima defesa (?!); Bento António Gonçalves, secretário-geral do P. C. P. Morre no Tarrafal; Damásio Martins Pereira, fragateiro, morre no Tarrafal; Fernando Óscar Gaspar, morre tuberculoso no regresso da deportação; António de Jesus Branco morre no Tarrafal;

1943
Rosa Morgado, camponesa do Ameal (Águeda), e os seus filhos, António, Júlio e Constantina, são mortos a tiro pela GNR; Paulo José Dias morre tuberculoso no Tarrafal; Joaquim Montes morre no Tarrafal com febre biliosa; José Manuel Alves dos Reis morre no Tarrafal; Américo Lourenço Nunes, operário, morre em consequência de espancamento perpetrado durante a repressão da greve de Agosto na região de Lisboa; Francisco do Nascimento Gomes, do Porto, morre no Tarrafal; Francisco dos Reis Gomes, operário da Carris do Porto, é morto durante a tortura;

1944
General José Garcia Godinho morre no Forte da Trafaria, por lhe ser recusado internamento hospitalar; Francisco Ferreira Marques, de Lisboa, militante do PCP, em consequência de espancamento e após mês e meio de incomunicabilidade; Edmundo Gonçalves morre tuberculoso no Tarrafal; assassinados a tiro de metralhadora uma mulher e uma criança, durante a repressão da GNR sobre os camponeses rendeiros da herdade da Goucha (Benavente), mais 40 camponeses são feridos a tiro.

1945
Manuel Augusto da Costa morre no Tarrafal; Germano Vidigal, operário, assassinado com esmagamento dos testículos, depois de três dias de tortura no posto da GNR de Montemor-o-Novo; Alfredo Dinis (Alex), operário e dirigente do PCP, é assassinado a tiro na estrada de Bucelas; José António Companheiro, operário, de Borba, morre de tuberculose em consequência dos maus tratos na prisão;

1946
Manuel Simões Júnior, operário corticeiro, morre de tuberculose após doze anos de prisão e de deportação; Joaquim Correia, operário litógrafo do Porto, é morto por espancamento após quinze meses de prisão;

1947
José Patuleia, assalariado rural de Vila Viçosa, morre durante a tortura na sede da PIDE;

1948
António Lopes de Almeida, operário da Marinha Grande, é morto durante a tortura; Artur de Oliveira morre no Tarrafal; Joaquim Marreiros, marinheiro da Armada, morre no Tarrafal após doze anos de deportação; António Guerra, operário da Marinha Grande, preso desde 18 de Janeiro de 1934, morre quase cego e após doença prolongada;

1950
Militão Bessa Ribeiro, operário e dirigente do PCP, morre na Penitenciária de Lisboa, durante uma greve de fome e após nove meses de incomunicabilidade; José Moreira, operário, assassinado na tortura na sede da PIDE, dois dias após a prisão, o corpo é lançado por uma janela do quarto andar para simular suicídio; Venceslau Ferreira morre em Lisboa após tortura; Alfredo Dias Lima, assalariado rural, é assassinado a tiro pela GNR durante uma manifestação em Alpiarça;

1951
Gervásio da Costa, operário de Fafe, morre vítima de maus tratos na prisão;

1954
Catarina Eufémia, assalariada rural, assassinada a tiro em Baleizão, durante uma greve, grávida e com uma filha nos braços;

1957
Joaquim Lemos Oliveira, barbeiro de Fafe, morre na sede da PIDE no Porto após quinze dias de tortura; Manuel da Silva Júnior, de Viana do Castelo, é morto durante a tortura na sede da PIDE no Porto, sendo o corpo, irreconhecível, enterrado às escondidas num cemitério do Porto; José Centeio, assalariado rural de Alpiarça, é assassinado pela PIDE;

1958
José Adelino dos Santos, assalariado rural, é assassinado a tiro pela GNR, durante uma manifestação em Montemor-o-Novo, vários outros trabalhadores são feridos a tiro; Raul Alves, operário da Póvoa de Santa Iria, após quinze dias de tortura, é lançado por uma janela do quarto andar da sede da PIDE, à sua morte assiste a esposa do embaixador do Brasil;

1961
Cândido Martins Capilé, operário corticeiro, é assassinado a tiro pela GNR durante uma manifestação em Almada; José Dias Coelho, escultor e militante do PCP, é assassinado à queima-roupa numa rua de Lisboa;

1962
António Graciano Adângio e Francisco Madeira, mineiros em Aljustrel, são assassinados a tiro pela GNR; Estêvão Giro, operário de Alcochete, é assassinado a tiro pela PSP durante a manifestação do 1º de Maio em Lisboa;

1963
Agostinho Fineza, operário tipógrafo do Funchal, é assassinado pela PSP, sob a indicação da PIDE, durante uma manifestação em Lisboa;

1964
Francisco Brito, desertor da guerra colonial, é assassinado em Loulé pela GNR; David Almeida Reis, trabalhador, é assassinado por agentes da PIDE durante uma manifestação em Lisboa;

1965
General Humberto Delgado e a sua secretária Arajaryr Campos são assassinados a tiro em Vila Nueva del Fresno (Espanha), os assassinos são o inspector da PIDE Rosa Casaco e o subinspector Agostinho Tienza e o agente Casimiro Monteiro;

1967
Manuel Agostinho Góis, trabalhador agrícola de Cuba, morre vítima de tortura na PIDE;

1968
Luís António Firmino, trabalhador de Montemor, morre em Caxias, vítima de maus tratos; Herculano Augusto, trabalhador rural, é morto à pancada no posto da PSP de Lamego por condenar publicamente a guerra colonial; Daniel Teixeira, estudante, morre no Forte de Caxias, em situação de incomunicabilidade, depois de agonizar durante uma noite sem assistência;

1969
Eduardo Mondlane, dirigente da Frelimo, é assassinado através de um atentado organizado pela PIDE;

1972
José António Leitão Ribeiro Santos, estudante de Direito em Lisboa e militante do MRPP, é assassinado a tiro durante uma reunião de apoio à luta do povo vietnamita e contra a repressão, o seu assassino, o agente da PIDE Coelha da Rocha, viria a escapar-se na "fuga-libertação" de Alcoentre, em Junho de 1975;

1973
Amilcar Cabral, dirigente da luta de libertação da Guiné e Cabo Verde, é assassinado por um bando mercenário a soldo da PIDE, chefiado por Alpoim Galvão;

1974, 25 de Abril
Fernando Carvalho Gesteira, de Montalegre, José James Barneto, de Vendas Novas, Fernando Barreiros dos Reis, soldado de Lisboa, e José Guilherme Rego Arruda, estudante dos Açores, são assassinados a tiro pelos pides acoitados na sua sede na Rua António Maria Cardoso, são ainda feridas duas dezenas de pessoas.


Posto isto, fiz um poema, daqueles ditos populares, que dizem mal do governo, dos que são recitados na TV por um velhote perdido na serra... aqui vai:

O Dr. Oliveira Salazar,
foi o Salvador da Nação,
Hoje vivemos a pagar,
o preço da Salvação,

Eu não me lembro de mendigar, 
tal feito a esse cidadão,
E ainda hoje ando a penar,
Vivendo a vida a pensar,
Que mal fiz eu ao Cabrão!

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2007

As Lojas dos Chineses


Depois do curto período de ferias lectivas, e regressado à capital, não pude deixar de constatar o crescente número de lojas dos chineses espalhadas por Lisboa , para terem uma ideia acho que nem a progressão do preço da gasolina nos últimos 10 anos se compara ao crescente número desses estabelecimentos.

Claro que já tive a curiosidade de entrar em algumas, e das varias que entrei a única diferença que achei entre elas, foi o modelo dos óculos do lojista chinês, os que usam, já entrei em lojas em que os comerciantes devem usar lentes de contacto (made in china), mas de resto é igual, até a musica ambiente, se não estou em erro é o mesmo CD em todo o pais, senão é, é parecido.

As poucas experiência que tenho como consumidor, advêm da aquisição a pronto pagamento e sem juros, duma chave de fenda, que na primeira utilização se tornou apenas chave, pois a fenda ficou na ranhura do parafuso, e uma maquina cortar cabelo, que na primeira utilização entendi que não era de cortar, mas de arrancar cabelo e como as especificações estavam em chinês não entendi, e lembro-me igualmente da minha namorada ter comprado uma consola de jogos portátil, que apenas durou 5 horas sem o botão ficar permanentemente encravado, até hoje.

Pelo que observo, e por experiência empírica, a sorte é que a maior parte dos alegados fregueses, não passam de meros visitantes que não compram nada, e apenas deambulam por o meio das jarras, das ferramentas, das roupas e de toda a espécie de suvenires para se dar aqueles amigos que menos gostamos mas que temos que oferendar, ou mesmo aos inimigos, visto haver lá a venda aparelhos eléctricos, os quais eu nunca mais me atreveria a ligar a uma tomada com 230V.

Mas o pior, é que nos 100 metros circundantes da minha casa estavam 3 e no período de ferias abriu a 4º, era a que faltava, depois queixam-se que não há comercio local, não há, mas não por falta de empreendedorismo, e muito menos da concorrencia chinesa, é antes por falta de espaço.

Fica aqui o velho e gasto conselho; feche o seu abençoado CU, os chineses abrem lojas em qualquer buraco!

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2007

Se conduzir, não beba!


Vindo há uns dias da capital pelas nossas lindas IP’S, com as suas igualmente lindas e circundantes paisagens, não pude deixar de fazer uma reflexão acerca daqueles poluentes sinais que se encontram ao longo da estrada, apelando ao condutor, que “se conduzir, não beba!”

O que me chateia mais nem é o grafismo á anos 60, nem a desapropriada mensagem, é precisamente o local onde estão instalados.

Quando alguém os vê (se conseguir ainda ver alguma coisa), é porque já vai incorrendo na prática da condução, logo mesmo que já tenha bebido, certamente não vai encostar a merda do carro ao lado do sinal à espera que a bebedeira lhe passe, e mesmo que encoste não deve estar lá ninguém, pois estão colocados em sítios inóspitos, longe de qualquer bar, dai o encosto não é recomendavel.

Logo, não seria mais razoável, a porra dos sinais estarem espalhados nos bares e restaurantes deste pais, em vez de andarem para ai a poluir as suas paisagens, a não ser que a mensagem esteja incompleta, e eles queiram mesmo dizer: “se conduzir, não beba… pode derramar”

Isto é o mesmo que porem os avisos que “Fumar Mata” inscritos na parte de dentro dos caixões dos gajos que morrem vitimas de cancro pulmonar.

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2007

Vingança ou aviso!?

No dia 12 de Fevereiro de 2007, após a clara vitoria do sim no referendo, Portugal é abalado por um sismo. Mais uma vez fiquei espantado com os comentários que surgiram em volta deste fenómeno natural, neste caso vindo das velhas beatas que se encontravam a porta da igreja lá da aldeia. Fui eu, enveredando a minha faceta de inconformado, até a Junta de Freguesia reclamar pelo número atribuído ao meu “palheiro”, é verdade o “palheiro” já tem número, é o 78. Não conformado com esta atribuição, fui reclamar e requerer a mudança para o 69, sempre achei piada a este número, vá-se lá saber porque, enfim. No meio de tanto espaço da terriola, decidiram por bem colocar o edifico da junta mesmo em frente a igreja, devem ter pensado que assim recebem uma ajuda divina e a papelada é despachada mais depressa da mesma maneira que as igrejas despacham o dinheiro dos "crentes" para o vaticano.

Estava então eu a espera para ser atendido quando dou por mim a ouvir a conserva das beatas, pois sempre achei que no mundo animal este é um dos espécimes mais interessantes para ser estudado, eis que uma delas vira-se para a companheira e diz: “Já viu, vizinha, como dEUS castiga! Depois dos resultados de ontem no referendo terem sido a favor do sim, dEUS decidi-o mostrar o seu desagrado e fez a terra tremer!!”

Fiquei espantado, surpreendido com o comentário, mas como diz a minha mãe, eu já tenho idade para ter juízo, e é verdade, coisas destas já não me deveriam deixar surpreendido ainda para mais que vivo tão perto da terra dos fenómenos.

Enfim, eu sei qual foi o evento que se encontra por detrás do sismo nessa segunda-feira, apenas não disse as beatas o que foi, pois como característica relevante mas não principal da espécie das beatas é o seu elevado grau de velhice, estar a explicar o que se sucedeu poderia a levar a que estas entrassem ,por exemplo, em combustão espontânea ou terem um AVC.

Não foi vingança, não foi aviso, o que se passou e por isso peço desde já as minhas desculpas, foi a queca do ano! É verdade, já ha muito tempo que não dava uma queca como deve ser e depois deu nisto. Um tremor de terra que se sentiu em Portugal continental e arredores. Estava a experimentar uma posição nova, resultado, cama partida, aparição súbita de mais "rachas" no meu quarto e varias queixas na gnr a conta da brincadeira.

Conclusão, foi criado uma fundação, a F.F. (Fundação Freud), claramente com fins monetários com vista a patrocinar umas ferias para mim e mais umas felizes EPV seleccionadas por mim, no vaticano. O objectivo da viagem será reproduzir o mesmo fenómeno por lá para ver se aquilo desmorona de uma vez por todas e deixa-mos de ter o povo Português a viver ainda na idade das trevas, sobre a alçada daquela cambada de pedófilos que compara o aborto com a pena de morte, e a gente sabe bem que já no tempo da inquisição eles eram contra a pena de morte. Além do mais nunca ninguém foi morto em nome de dEUS , isso é pura ficção.

PS: Em abono da verdade as falas das beatas foram ligeiramente alteradas, da forma como se encontram podem parecer que são elementos inteligentes mas fui eu que traduzi para um dialecto mais coerente. Já agora e prevenindo futuros comentários, a aparição súbita de mais "rachas" no meu quarto refere-se as falhas na parede e não ao aparecimento de mais gajas no meu quarto, não vá o caso de voces pensarem que a conta da aparição vou abrir um santuario como os outros. Mas por acaso até era mais bem empregue um santuario louvando as outras "rachas".

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2007

A Cabidela



O povo português, o menos preguiçoso e mais responsável, reivindicou ontem nas urnas o direito a um serviço de saúde digno e igualitário, livre da pia hipocrisia e dos devaneios dos paladinos da santa castidade.

É sem espanto que o SIM ganhou, mesmo com a chuva e a campanha terrorista da Santa Igreja, que mesmo em dia de eleições não poupou os créus às sua ameaças e as suas recomendações de voto, mesmo num pais onde, segundo os últimos sensos 90% confessam a religião católica.

Posto isto, e recordando as antigas ameaças por parte dos cardeais, dos bispos, dos padres, dos cónegos, dos diáconos, e dessa canalha toda, que constava em escumungar os que no dia de ontem votassem SIM.
Daí espero que a promessa seja cumprida, e que ainda hoje dê entrada no Vaticano os processos de escumulhão dos 2.238.053 portugueses que votaram SIM.
Eu por mim, só peço que me mandem uma certidão, para eu emoldurar e ostentar no wall de entrada da minha casa, já não exigo um cartão para pôr na carteira ao lado do cartão do Glorioso!

Já agora, o que é que vão fazer às litradas de sangue das lágrimas que a mãe do JC verteu com a decisão dos portugueses, tal como alarmaram no folheto de propaganda do Não, eu tenho uma solução, apesar de não ser apreciador, nem um expert em culinária, mas que tal uma mega cabidela regada com água das pedras para a azia, e distribuir o banquete pela Conferência Episcopal Portuguesa?

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2007

Congruência? Não Obrigado!



Há um novo movimento em campanha para o referendo da IVG que não foi contemplado na resposta à pergunta do mesmo, o movimento pelo NIM, o NIM tem como principais fundadores e defensores o ilustre professor Marcelo Rebelo de Sousa, e o seu partidário Marque Mendes, respectivamente.

Pelo que entendi, tais criaturas defendem que o aborto não deve ser “livre”, mas deve ser despenalizado, ora isto é confusão a mais para a minha cabeça, afinal de contas o que é que aquela gente quer?
Será que a proposta de alteração à lei deverá ser: “A mulher grávida que der consentimento ao aborto praticado por terceiro, ou que por facto próprio ou alheio se fizer abortar, não é punida nem com uma horita de prisão”. Ou seja, caso a lei que eles defendem vigora-se, que inviabilizaria a actual moldura penal que são 3 anos de prisão para o crime de aborto, nesse caso, o que impediria as mulheres de recorrerem ao aborto? O mesmo seria ilegal, mas a pena por incumprimento da lei não seria nenhuma.

Será que a esta gente do NÃO, o termo congruência, não lhes diz nada?! O exemplo disso não é só o actual movimento pelo NIM, entre eles, há os que argumentam entusiasticamente que nos últimos anos nenhuma mulher foi presa, motivo porque os defensores do Sim não se devem preocupar com a actual lei, não sei se não sentem vergonha numa classe judicial que não cumpre o código penal, se antes sentem orgulho nisso, e como argumentam que um feto é um ser humano, não deveriam defender a revogação da lei com uma moldura penal idêntica ao crime de homicídio premeditado, que pode ir até 25 anos de prisão?

Há ainda outros, acérrimos defensores da “vida”, que concordam com a actual lei que prevê a excepção para o caso de violação da mulher; segundo eles, é menos “vida” o feto originário duma violação? Não deveria também, ter direito a igual defesa da parte deles, e não ser julgado pelos erros do pai?
Claro que há energúmenos, que defendem que nem em caso de violação, ou malformação do feto, a mulher deve interromper a gravidez, mas esses ao menos são coerentes com aquilo que defendem, ou antes, com noção que têm de “vida”. Há ainda outros que para alem da violação da mulher e malformação do feto, são totalmente contra a interrupção da gravidez, mesmo que dela advenha perigo para a integridade física da mulher, e que se opuseram à actual lei, reivindicando, que a lei não deveria contemplar excepções; nem que a Mãe morra, tem que parir, afinal a mulher serve para quê?, é disso exemplo a Santa Igreja.

Se a Igreja, os seus pastores e os seus borregos, vêm num feto com menos de 10 semanas, uma vida, porque motivo não o baptizam? 

domingo, 4 de fevereiro de 2007

O Grande Português


A RTP anda a transmitir um programa, cujo nome é “Os Grandes Portugueses”, pessoalmente ainda não entendi o propósito que serve tal programa, para alem de substituir a electricidade estática do monitor; e até tenho sérias dificuldades em descortinar o que estava na mente do criador do formato, para além dos ácidos, do álcool e da merda, claro.

O programa é uma espécie de tudo, que acaba por não ser rigorosamente nada;

-é um jogo interactivo constituído por 100 candidatos propostos, 100 defensores dos mesmos, um moderador, e vários votantes com vista a eleger o grande português de todos os tempos,

-é um talk show, com alguns entrevistados de diversas áreas que a única coisa que têm em comum, é um convite da rádio televisão portuguesa para irem ao programa defender o seu voto, ou debater as escolhas do publico,

-é um programa didáctico, porque narra a biografia dos candidatos, contextualizada na historia da sociedade portuguesa, e sua respectiva importância na mesma,

-é uma espécie de frente a frente, quando dois defensores partidarizam a sua escolha,

-e é igualmente uma comédia, porque alguém se empenha em fazer daquilo um programa sério.

O concurso está dividido em três fases, na que se transmite agora, só já temos os 10 mais votados pelo público, e para grande espanto de alguns o Senhor Ditador Oliveira Salazar estar lá no top ten, claro que tal facto se deve exclusivamente à RTP, que aquando ninguém se lembrou do canalha, achou por bem, propô-lo para os 100 primeiros, anunciando prontamente a proeza, a RTP ganhou uns trocos em receitas de publicidade, com os inúteis debates em torno do assunto por eles criado, e os portugueses ganharam o enxovalho de ter o ditador no top ten.

Mas o pior daquilo é o critério, ou melhor, a falta dele, são elegíveis portugueses das áreas que vão da a arte, à politica, à musica, ao desporto, à historia, à poesia, à ciência, à ditadura, etc., tudo cabe no mesmo saco, os candidatos só têm que ter nacionalidade portuguesa mesmo que não sejam do tempo do BI, é obvio que alguém anda a confundir, a falta de critério, com o falso argumento do estimulo à capacidade intelectual dos votantes com tão vasta e pertinente pergunta a que os submetem.
Se o publico pedisse ao tipo que inventou o formato para escolher “As Grandes Bebidas do Mundo”, ele haveria de o acusar de misturar no mesmo role, as bebidas fermentadas com as destiladas, e a sua fidelidade a ambas impedia a livre escolha.

Uma vez o programa findado, e o grande português finalmente revelado, o que é que vai mudar na sociedade portuguesa, como é que essa revelação vai contribuir para a minha felicidade, e o mais importante, o que lhe vamos fazer? Uma estátua, um livro, cunhar-lhe o busto numa moeda de euro, baptizar uma avenida com seu nome…

Cá para mim, que ninguém nos ouve, vamos fazer-lhe um programa televisivo na RTP e tirar elações e conclusões do resultado da votação, que para mim, têm a mesma validade que concluir acerca da extracção da bola 7 no jogo do euromilhões.


PS: Falando com o outro colaborador, ele frisou um ponto que não posso deixar de apontar; com a típica mentalidade portuguesa, nunca mais vamos ter ninguém a destacar-se em nenhuma área, pois o título de Grande Português já foi atribuído e não há concurso comparável, em que valha a pena ser-se distinguido.